Mi Buenos Aires Querido

Eva Perón (Evita)

Evita

Líder política (1919-1952)

Maria Eva Duarte, como nasceu; Eva Perón, como ficou conhecida em seus últimos anos; ou Evita, como o povo a batizou, foi uma figura marcante que definiu uma modalidade política nunca vista até então. Durante o breve período de sua atuação, ao lado de Perón, se tornou a alma do movimento peronista, em sua essência e em sua voz. Adorada e ao mesmo tempo odiada por milhões de argentinos, o que jamais provocou foi a indiferença.


Biografia da Evita

«Se me perguntassem o que eu prefiro, minha resposta não demoraria em sair de mim: gosto mais do meu nome de povo. Quando um garoto me chama de “Evita”, me sinto mãe de todos os garotos e de todos os fracos e humildes da minha terra. Quando um operário me chama de “Evita”, me sinto com orgulho companheira de todos os homens.» (Fragmento do livro “A razão da minha vida” escrito por Eva Perón em 1951).

Maria Eva Duarte nasceu na pequena cidade de Los Toldos, província de Buenos Aires, em 7 de maio de 1919. Ela, sua mãe Juana Ibarguren e seus quatro irmãos formavam a família irregular de Juan Duarte, que morreu quando Evita tinha seis ou sete anos. Nessa época, mudaram-se para a cidade de Junín, onde Eva permaneceu até 1935.

Sentindo-se asfixiada pelo ambiente de cidade do interior, com apenas 15 anos Eva decide se mudar para Buenos Aires em busca de ser atriz. Sozinha, sem recursos nem educação, enfrenta-se com um mundo hostil e difícil, cujas regras desconhece. Mas triunfa: chega a ser atriz de certo nome, a sair em capas de revistas e a encabeçar um programa de rádio muito escutado.

Evita y PerónMas seu destino era outro. Em janeiro de 1944, Maria Eva Duarte conhece o coronel Juan Domingo Perón em um festival que a comunidade artística realizava em benefício das vítimas de um terremoto que havia destruído a cidade andina de San Juan poucos dias antes. No mês seguinte, já estavam morando juntos e dois anos mais tarde regularizaram a relação, contraindo matrimônio em um cerimônia íntima e que não transcende ao público.

Em fevereiro de 1946, após uma campanha eleitoral na qual a presença de Evita foi marcante, Perón é eleito presidente.

A oposição transferiu a ela a antipatia e a rejeição que sentiam por Perón. A ascensão vertiginosa “dessa mulher” de origem humilde, passado duvidoso e apenas 27 anos foi para muitos argentinos um motivo mais de repúdio.

No seu papel primeira-dama, Eva Perón desenvolveu um trabalho intenso, tanto no aspecto político quanto no social. No que diz respeito à política, trabalhou intensamente para obter o voto feminino e foi organizadora e fundadora da ala feminina do movimento peronista. Essa organização se formou recrutando mulheres de distintos setores sociais por todo o país.

Evita y Perón en el balcón de la Casa RosadaNo aspecto social, seu trabalho se desenvolveu na Fundação Eva Perón, mantida por contribuições de empresários e por doações dos próprios trabalhadores. Criou hospitais, lares para idosos e mães solteiras, dois policlínicos, escolas e até uma Cidade Infantil. Durante o ano, presenteava e socorria os necessitados, além de organizar torneios esportivos infantis e juvenis.

O outro baluarte, e talvez eixo principal de sua popularidade, formou-se em torno dos sindicalistas e da facilidade e carisma de Evita para se conectar com as massas trabalhadoras, às quais ela chamava de seus “descamisados”.

Eva Perón faleceu no dia 26 de julho de 1952, com apenas 33 anos e sem deixar filhos, por ocasião de um câncer de útero. A dor popular não a abandonou em um velório que durou mais de 15 dias, e não a abandonaria jamais. No imaginário popular, Evita se tornou para muitos uma espécie de santa padroeira.

Discurso no dia da lealdade peronista (1951)


Evita e a moda

Em contradição, ou não, com seu árduo trabalho social, Eva Perón se tornou também um indiscutível ícone da moda durante sua curta vida pública. Embora o coque baixo e os lábios vermelhos tenham sido sua “marca registrada”, o estilo de Evita também incluía vestidos exuberantes, luxuosos casacos de pele, joias caríssimas e mais de 300 pares de sapatos. Foi cliente fiel das principais casas de alta costura de Buenos Aires da época e também do estilista francês Christian Dior, quem chegou a afirmar: “a única rainha que eu vesti foi Eva Perón”.


Homenagens a Evita

Em Buenos Aires, Argentina

Além de aparecer na nota de 100 pesos argentinos desde 2012, como alternativa à imagem do ex-presidente Julio Roca, existem diversas homenagens a Evita espalhadas por todo o país. Abaixo indicamos as principais da cidade de Buenos Aires:

Museu Evita (Lafinur 2988, Palermo, Cidade de Buenos Aires) O museu está instalado em um antigo casarão e exibe fotos, documentos, cartas, vestidos, joias, revistas e brinquedos que testemunham a vida e obra de Eva Perón. Também conta com um café e restaurante ao estilo dos anos 1940 e uma lojinha de lembranças. De terça a domingo e feriados, de 11h a 19h.

Cemitério da Recoleta (Av. Quintana e Junín, Recoleta, Cidade de Buenos Aires) Apesar de protestos por suas origens humildes, Evita foi enterrada neste exclusivo cemitério e hoje seus restos repousam na cripta da família Duarte. A tumba é modesta mas muitíssimo procurada. Os guardas podem dar indicações sobre como encontrá-la.

Monumentos da Biblioteca Nacional (Plaza Mitre, Av. del Libertador entre Agüero e Austria, Recoleta, Cidade de Buenos Aires) A área verde ao redor da Biblioteca Nacional exibe dois monumentos em homenagem a Evita, já que esse foi o lugar da antiga residência presidencial onde ela morou com Perón. O primeiro, de 1999, é uma estátua realizada em bronze pelo artista Ricardo Gianetti. O segundo, de 2014, é uma escultura colorida de Eva e Perón sentados em um banco junto a seu cachorro de estimação, obra de Fernando Pugliese.

Murais da Avenida 9 de Julio  Desde 2011, o prédio sede dos Ministérios de Desenvolvimento Social e Saúde (ex MOP), localizado no cruzamento das Av. 9 de Julio e Av. Belgrano, exibe dois murais gigantes em aço com a figura de Evita, obras do artista plástico Alejandro Marmo.

Perón Perón Resto Bar (Ángel Carranza 2225, Palermo, Cidade de Buenos Aires) Um restaurante abertamente político, cuja ambientação é cheia de evocações ao peronismo e ao kirchnerismo, incluindo um “altar” da Evita e a reprodução periódica da “marcha peronista” (hino do partido). A proposta culinária são pratos típicos da cozinha criolla argentina, ao estilo caseiro e com porções abundantes.

INTERNACIONAL

Evita, o musical A referência mais perdurável a Evita no exterior é sem dúvidas o musical de mesmo nome produzido pelos ingleses Andrew Lloyd Weber e Tim Rice, e imortalizado pela canção “Não chores por mim, Argentina” (Don’t cry for me, Argentina). A estreia foi em 1978 no West End de Londres e em 1979 na Broadway de Nova Iorque, com Elaine Paige e Patti LuPone no papel de Evita, respectivamente. Nos anos seguintes, a obra seria levada a várias outras capitais do mundo todo. Em 1996, o musical ganhou sua versão cinematográfica sob a direção de Alan Parker e com Madonna como protagonista. A peça reestreou em 2006 no West End e em 2012 na Broadway, desta vez com a argentina Elena Roger na pele de Evita.


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