Mi Buenos Aires Querido

Diego Maradona

Maradona Maradona é considerado de forma unânime como um dos melhores jogadores de futebol de todos os tempos. A magia de sua camisa 10 perdura na memória dos argentinos, e também dos napolitanos, em uma espécie de veneração e agradecimento eterno pela alegria proporcionada pelo craque. Em sua galeria de jogadas antológicas está o polêmico gol “mão de deus”, além do gol mais espetacular do século. Os excessos e controvérsias de sua vida privada exacerbam o lado mais humano de uma figura que há tempos se tornou legendária.

Biografia

«O futebol é o esporte mais bonito e mais sadio do mundo. […] Eu errei e paguei, mas a bola não se mancha.» (No discurso de seu jogo de despedida, em 2001)

Maradona Joven BocaDiego Armando Maradona nasceu no dia 30 de outubro de 1960, em um bairro precário do subúrbio de Buenos Aires chamado Villa Fiorito. Filho de um operário, começou a jogar futebol aos 9 anos em um time infantil, Los Cebollitas. Em 1976, aos 15 anos, foi contratado pelo Argentinos Juniors, um time de primeira divisão. Um ano depois foi convocado para jogar na seleção nacional. Era chamado de “el pibe de oro” (“o garoto de ouro”). Aos 17 anos, já estava entre os 25 melhores jogadores argentinos, mas não maduro o suficiente para fazer parte do time que consagrou a Argentina como campeã do mundo na copa que o país sediou em 1978. Em 1979, Diego foi o capitão do time que ganhou o campeonato mundial sub-20 no Japão.

Em 1980, foi vendido ao Boca Juniors, um dos maiores times da Argentina, e dois anos mais tarde ao Barcelona da Espanha, por uma cifra recorde. No Mundial de 1982 na Espanha, a performance de Maradona deixou bastante a desejar. Já em 1984, foi contratado pelo Napoli da Itália e lá teve um desempenho brilhante, conquistando dois campeonatos italianos (1987 e 1990), uma Copa Itália (1987), uma Copa UEFA (1989) e uma Supercopa Italiana (1990).

Seu auge como jogador foi na Copa do Mundo de 1986 no México, quando conduziu a vitória da seleção argentina contra a Alemanha (3-2) na final. Nesse mesmo mundial, um inspirado Maradona marcou no jogo contra a Inglaterra das quartas de final dois de seus gols mais memoráveis: o gol de mão que ficou conhecido como “mão de deus”, e a jogada que logo viria a ser eleita como o “gol do século”: partindo dMaradona Copa Mundial 1986o campo de defesa argentino, driblou 5 rivais e também o goleiro antes de meter a bola na rede. A vitória por 2-1 garantiu a eliminação da Inglaterra e representou, no plano simbólico, uma espécie de redenção para os argentinos, que tinham sofrido a Guerra das Malvinas apenas 4 anos antes.

Na Copa do Mundo de 1990 na Itália, Maradona levou a Argentina à final, mas tiveram que se contentar com um segundo lugar, perdendo por 1-0 contra a Alemanha.

A relação de Maradona com as drogas se tornou pública pela primeira vez em 1991, quando foi expulso do Napoli após falhar em um teste anti-doping. Voltou então à Espanha, jogando pelo Sevilla, e logo à Argentina para jogar pelo Newell’s Old Boys. Esse problema com as drogas voltaria a ser um pesadelo na Copa de 1994 nos Estados Unidos, quando o anti-doping detectou que ele havia utilizado a substância “ephedrina” e a FIFA o proibiu de jogar por um ano. A seleção argentina, que dependia muito de seu capitão, acabou sendo eliminada nas oitavas de final.

Maradona BocaPassada a suspensão, Diego voltou ao Boca Juniors e jogou no clube até se retirar definitivamente dos campos em 1997, no dia do seu 37° aniversário. Durante 2000, sofreu uma recaída e foi internado em uma clínica de reabilitação em Cuba, país onde terminou morando por vários anos. Nessa etapa, também decidiu escrever seu livro autobiográfico intitulado “Yo soy el Diego”. O esperado jogo de despedida só ocorreu em novembro de 2001, em um estádio La Bombonera repleto de estrelas do futebol e de fiéis adoradores.

Em 2003, terminou um longo relacionamento com Claudia Villafañe, mãe de suas filhas Dalma e Giannina. Também se separou de seu representante e amigo de longa data, Guillermo Coppola. Em 2005, recuperado e de volta à Argentina, ele aceitou o desafio de apresentar seu próprio programa de televisão, “La noche del 10”, onde recebeu grandes convidados nacionais e internacionais, como Pelé (eterno rival), Xuxa, Roberto Bolaños, Fidel Castro e Mike Tyson.

Aceitando outro desafio, Diego se desempenhou como técnico da seleção argentina entre 2008 e 2010, tendo levado a equipe albiceleste até as quartas de final da copa da África do Sul. Nos anos seguintes, foi técnico do time Al Wasl FC de Dubai e também atuou como embaixador esportivo dos Emirados Árabes.

Em julho de 2016, lança seu segundo livro “México 86. Mi Mundial, mi verdad. Así ganamos la Copa”, em comemoração aos 30 anos do último campeonato mundial conquistado pela Argentina.

Estatísticas

Jogos e gols por time
Seleção argentina (1977-1994)
91 jogos 34 gols
Seleção argentina sub-20 (1977-1979)
24 jogos 13 gols
Argentinos Juniors (Argentina, 1976-1980)
166 jogos 116 gols
Boca Juniors (Argentina, 1981 e 1995-1997)
71 jogos 35 gols
FC Barcelona (Espanha, 1982-1984)
58 jogos 38 gols
SSC Napoli (Itália, 1984-1992)
259 jogos 115 gols
Sevilla FC (Espanha, 1992-1993)
30 jogos 7 gols
Newell’s Old Boys (Argentina, 1993-1994)
5 jogos 0 gols
TOTAL
704 jogos 358 gols
Maradona UEFA 1989Títulos conquistados
1979 .
Copa do Mundo Sub-20 (Seleção argentina)
1981
Torneio Metropolitano Argentino (Boca Juniors)
1983
Copa do Rei da Espanha (FC Barcelona)
1983
Copa da Liga Espanhola (FC Barcelona)
1984
Supercopa Espanhola (FC Barcelona)
1986 Copa do Mundo (Seleção argentina)
1987 Liga Italiana Série A (SSC Napoli)
1987 Copa Itália (SSC Napoli)
1989 Copa UEFA (SSC Napoli)
1990 Liga Italiana Série A (SSC Napoli)
1990 Supercopa Italiana (SSC Napoli)
1993 Copa Artemio Franchi (Seleção argentina)
Maradona BarcelonaPrincipais PRÊMIOS E RECORDES individuais
Goleador Goleador do Torneio Metropolitano Argentino (1978/79/80 – AFA)
Goleador do Campeonato Nacional Argentino (1979/80 – AFA)
Segundo goleador da Copa do Mundo no México (1986 – FIFA)
Goleador da Liga Italiana Série A (1987 – Lega Calcio)
Goleador da Copa Itália (1988 – Lega Calcio)
Melhor jogador      Melhor jogador da Copa do Mundo Sub-20 no Japão (1979 – FIFA)
Jogador do ano (1979/80/81 – Jornalistas credenciados na AFA)
Bola de Ouro da Copa do Mundo no México (1986 – FIFA)
Melhor jogador do mundo (1986 – revista World Soccer)
Melhor jogador do mundo (1986/87 – revista Onze)
Melhor jogador argentino de todos os tempos (1993 – AFA)
Bola de Ouro Honorífica * (1995 – revista France Football)
“Jogador do século” (2000 – votação popular feita pela FIFA)
Outros Recorde de jogos como capitão em Copas (16 jogos, 1982-94, FIFA)
Recorde de faltas sofridas em um jogo (23 faltas, 1982, FIFA)
Recorde de faltas sofridas em uma Copa (53 faltas, 1986, FIFA)
Embaixador da UNICEF (1985 – ONU)
“Mestre Inspirador de Sonhos” (1995 – Universidade de Oxford)
Autor do “Gol do século” (2002 – votação popular feita pela FIFA)

* Até 1995, a Bola de Ouro era um prêmio entregue anualmente pela revista France Football somente a jogadores com cidadania europeia. Como Maradona não cumpria com essa condição em anos anteriores, foi-lhe entregue o prêmio honorífico por sua trajetória. A Bola de Ouro da FIFA, por sua vez, só era entregue em Copas do Mundo até 2010, quando se fundiu com o prêmio da revista francesa e passou a ser anual.

GOLS “mão de DEUS” e “Gol do século” (1986)

Homenagens a Maradona

Na Argentina

São muitas as amostras de admiração e carinho a Diego em toda a Argentina; abaixo, algumas das principais:

Estádio e museu do Argentinos Juniors  (Gavilán 2151, La Paternal, Buenos Aires) O Argentinos Juniors foi o primeiro time importante que contratou Diego, quando ele tinha apenas 15 anos. O estádio oficial se chama “Diego Armando Maradona” desde 2003 e possui um museu com a história do clube, incluindo uma seção especial sobre o craque.

Museu do Boca Juniors (Brandsen 805, La Boca, Buenos Aires) O chamado Museo de la Pasión Boquense dedica um espaço aparte em homenagem aos gloriosos anos de Maradona no clube, com direito a um gigantesco mural e uma estátua do ídolo.

Murais em La Boca  Como não podia deixar de ser, em todo o pitoresco bairro do Boca Juniors as referências a Maradona se multiplicam, especialmente no Caminito e nas proximidades do estádio La Bombonera.

Estátua na Recoleta (Plaza Intendente Alvear, Recoleta, Buenos Aires)  Foram inauguradas em 2014 três esculturas com os máximos representantes da seleção argentina de todos os tempos, Maradona e Messi, além de Batistuta, um dos maiores artilheiros da albiceleste. Ficam na praça em frente ao famoso Café La Biela, na Recoleta, e foram realizadas pelo artista Fernando Pugliese. Na de Diego, o craque aparece sorridente levantando a copa do Mundial de 1986.

Rua em La Pampa (Santa Rosa, província de La Pampa) A pequena cidade de Santa Rosa, província de La Pampa, foi a primeira do mundo a batizar uma rua com o nome “Diego Armando Maradona”, em 2005.

No Exterior

Mural e placa no Estádio Azteca, México  Maradona é homenageado com um mural e uma placa em uma das paredes do mítico Estádio Azteca, em México DF, pelo “extraordinário gol marcado na partida Argentina-Inglaterra com o qual passaram às semifinais” do mundial de 1986. Também foi aqui onde a seleção albiceleste levantou a copa de campeã do mundo.

“Altar” em Nápoles, Itália  Em uma parede do pequeno Bar Nilo, em frente à Piazzetta Nilo, existe um curioso “altar” em homenagem a Maradona, incluindo uma mecha de cabelo original do jogador.  A cidade de Nápoles possui várias outras referências anônimas que evocam o craque, especialmente nos bairros mais humildes.

Mural em Helsinki, Finlândia  Um graffiti em plena capital finlandesa brinca com a famosa pintura “A criação de Adão” de Michelangelo, substituindo o braço de Deus por um braço com a camiseta 10 da seleção argentina, em clara referência à “mão de deus” de Maradona.

INTERNACIONAL

Filme “Maradona by Kusturica” (2008)  Diego tem fama de ser um absoluto padre coruja com suas duas filhas, Dalma e Gianinna. Leva tatuado Fidel Castro na perna esquerda, de quem se tornou amigo, e o compatriota Che Guevara no braço direito. Anti-imperialista, sempre peitou os Estados Unidos e a FIFA. É amado pelos napolitanos com loucura ainda hoje, porque representou a revanche do sul contra o norte. É o ídolo supremo de uma curiosa “igreja maradoniana” em seu país natal. Esses e outros aspectos do deus-pessoa inspiraram o documentário “Maradona by Kusturica”, produzido pelo genial cineasta servo. Como parte do filme, o músico franco-espanhol Manu Chao compôs a canção “La Vida Tómbola” que, misturando o ser humano ao mito, diz: “Se eu fosse o Maradona, viveria como ele”. É uma das preferidas de Diego entre tantas outras músicas compostas em sua homenagem.


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