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População e costumes da Argentina

População Argentina / Población Argentina

A Argentina é um país formado por culturas bastante diversas, resultantes de sucessivos processos imigratórios. Apesar disso, existem fortes costumes que unem seus habitantes e dão forma à sua identidade nacional. Conheça abaixo um pouco mais sobre as principais características da população argentina:

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Perfil demográfico da Argentina

População

A população da Argentina foi estimada em cerca de 43 milhões de habitantes em 2015, sendo que mais de 30% do total reside na área metropolitana da Grande Buenos Aires. Essa concentração contrasta com a baixa densidade demográfica predominante em outras regiões do país, principalmente na Patagônia.

Composição étnica

A origem da população argentina foi fortemente marcada por diversas correntes imigratórias provenientes da Europa que se instalaram em massa no país entre 1860 e 1955. A grande leva de estrangeiros, em sua maioria italianos, espanhóis e alemães, complementou a então modesta população local composta por indígenas nativos, escravos africanos e colonizadores espanhóis.

Desde meados do século XX, a composição étnica foi principalmente influenciada pela imigração oriunda de países fronteiriços como Paraguai, Bolívia, Chile e Peru e, em menor medida, por correntes imigratórias asiáticas, principalmente da China e da Coreia do Sul.

O termo “crisol de razas”, ou “caldeirão cultural”, costuma ser utilizado em referência à heterogeneidade e harmoniosa convivência entre as diferentes culturas.

Religião

Há ampla liberdade de culto no país, garantida pela Constituição Nacional. No entanto, não existem dados precisos sobre as características religiosas da população devido a que esse item não consta nos censos nacionais. De qualquer forma, estima-se que cerca de 92% da população tenha sido batizada na religião católica apostólica romana, enquanto 2% seriam protestantes, 2% judeus e 4% outras categorias.

A eleição do Papa Francisco como primeiro papa não-europeu em março de 2013 renovou a fé dos católicos mundialmente e teve enorme repercussão na Argentina, terra de origem do então cardeal Jorge Bergoglio.

Também é interessante destacar que a comunidade judaica argentina é a maior da América Latina (quase o dobro da brasileira), e a sétima maior do mundo depois de Israel, Estados Unidos, França, Canadá, Inglaterra e Rússia.

Nível de vida

Tradicionalmente, a Argentina é considerada um dos países latino-americanos com melhor qualidade de vida. Embora alguns indicadores tenham sofrido deterioração nas últimas décadas, o país continua podendo ostentar uma das menores taxas de analfabetismo (1,9% em 2010) e de mortalidade infantil (10,6 por 1.000 em 2014) da América Latina, além de uma alta esperança de vida ao nascer (76,3 anos em média em 2015), entre outros indicadores favoráveis.


Idioma espanhol na Argentina

População Argentina / Población argentina

Cómo olvidarte en esta queja,
cafetín de Buenos Aires,
si sos lo único en la vida
que se pareció a mi vieja…
En tu mezcla milagrosa
de sabihondos y suicidas,
yo aprendí filosofía… dados… timba…
y la poesía cruel de no pensar más en mí.

Cafetín de Buenos Aires
(E. Discepolo, M. Mores)

Particularidades

O idioma oficial é o espanhol (ou castellano, como os argentinos preferem chamá-lo), embora algumas línguas indígenas também sejam faladas no interior do país, como o guarani ou o quéchua. As principais particularidades do castellano falado em Buenos Aires, e em grande parte da Argentina e do Uruguai, são:

“Vos”

O uso do pronome “vos” (“você”) é uma característica típica do modo de falar dos argentinos, apesar de que em algumas regiões do norte do país se conserve o uso do “tu”. O pronome “vos” também leva a conjugar os verbos de forma mais regular que no espanhol tradicional: o equivalente a “tu puedes” é “vos podés“, a “tu tienes” é “vos tenés“, e assim por diante. A principal exceção é o verbo ser, já que “tu eres” corresponde a “vos sos”.

“Y” e “ll”

Diferentemente do espanhol clássico, as letras “y” e “ll” são pronunciadas em Buenos Aires e em muitos lugares da Argentina como o fonema “j” do português, em vez do fonema “i”. Por exemplo, “calle” se pronuncia “caje” em vez de “caie“, e “ayuda” se pronuncia como em português, “ajuda”, em vez de “aiuda”. Em outras regiões do país as mesmas letras podem adquirir sons bastante diferentes.

“Che” e “boludo”

O vocativo “che” (equivalente ao “tchê” usado no sul do Brasil) é uma maneira comum de se referir ao outro, sem nenhum significado específico, mas que indica certa proximidade com o interlocutor. Uma frase comum poderia ser “Che, ¿nos vemos el sábado?”. Por outro lado, a transformação do adjetivo pejorativo “boludo” (ou “boluda”) em vocativo amistoso é bem mais recente e de uso ainda mais informal que o “che”, mas não por isso menos característico. Um exemplo seria a já clássica saudação “¿Qué hacés, boludo?” ou ainda a combinação de ambos vocativos como em “Che, boludo, contame cómo te fue en el viaje”.

Lunfardo

O lunfardo é uma gíria portenha que se encontra amplamente disseminada em muitas partes da Argentina e do Uruguai. Em menor medida também chegou a países próximos, inclusive ao Brasil, por influência cultural.

Nascido no final do século XIX, a origem do lunfardo se confunde com a do tango, tendo sido influenciada pelo ambiente marginal dos bairros pobres, devido à convivência forçada entre os imigrantes e a população local. Sua estrutura se nutre da substituição de palavras castelhanas por termos provenientes de diversos idiomas e dialetos estrangeiros, cujo significado seria posteriormente modificado.

Um elemento característico do lunfardo é inverter as sílabas de algumas palavras em particular. Assim, tango vira gotán, mujer vira jermu, pagar vira garpar, entre outros vários exemplos.

Pequeno dicionário de lunfardo E gíria argentina
afanarroubar
atorrante (atorranta)
cara-de-pau, folgado, boa-vida
bajónuma pena; ressaca; depressão
berretatosco, brega, vagabundo
birracerveja
un cachoum pedaço, um pouco
la cana; un canaa polícia; um guarda
currobico, trabalho fácil
chabón
rapaz, cara
chamuyo
lábia, papo-furado
chantamalandro, aproveitador
chorro (chorra)
ladrão, bandido
fasocigarro; baseado
fulerofeio
gamba; una gambaperna; cem pesos
un gilum bobo
¡guarda!cuidado!
guitagrana
laburar; un laburo
trabalhar; um trabalho
una luca; una luca verde
mil pesos; mil dólares
un mango
um peso
matinamanhã
milicomilitar
minamulher, garota
morfar; la morficomer; a comida
otariootário, idiota
un palo; un palo verde
um milhão de pesos; um milhão de dólares
pibe (piba)
garoto, moleque
piolaesperto; prático
platadinheiro
quilombobagunça, zona
timbajogo de azar, jogatina
truchofalso, de má qualidade
viejo (vieja)
velho; pai (mãe)
yeta
pé-frio
yuta
polícia
zafarsafar, se livrar de algo; dar pro gasto


Esportes na Argentina

O futebol (“fútbol”) é sem dúvida o esporte mais popular na Argentina, e também o que desperta maiores paixões. Os dois principais times são os arqui-inimigos Boca Juniors e River Plate, protagonistas do “super clássico” portenho. Outros times importantes são Vélez, Racing, San Lorenzo, Independiente, Banfield, Estudiantes, Rosario Central. Além disso, a Argentina produziu nada menos do que duas das maiores estrelas do futebol de todos os tempos: Diego Maradona nos anos 80 e 90 e Lionel Messi na atualidade. Em relação a títulos, a Argentina ganhou duas copas do mundo da FIFA (Argentina 1978 e México 1986) e foi medalha de ouro em duas Olimpíadas (Atenas 2004 e Pequim 2008).

O tênis é outro esporte no qual os argentinos sempre se destacaram, apesar de ser de prática mais limitada se comparado ao futebol. Guillermo Vilas e Gabriela Sabatini são os clássicos campeões, sendo que nos últimos anos os donos da raquete foram Juan Martín Del Potro (líder na conquista da primeira Copa Davis para a Argentina em 2016), Juan “Pico” Mónaco, David Nalbandian, entre vários outros.

Os argentinos também são líderes em vários esportes considerados de elite como pólo (times “Ellerstina” e “La Dolfina”, predomínio mundial), rugby (“Los Pumas”, entre os 10 melhores do mundo) e hóquei sobre a grama feminino (“Las Leonas”, bicampeãs mundiais).

Vale mencionar que o automobilismo é uma disciplina bastante popular, em parte graças ao legado do primeiro pentacampeão de F1 do mundo, “el maestro” Juan Manuel Fangio. Atualmente também houve um ressurgimento do basquete graças ao ídolo Manu Ginóbili, campeão na NBA.


Comidas típicas da Argentina

Pratos típicos
CarneCarne argentinaA carne de vaca é, por excelência, a base alimentar dos argentinos. O churrasco (asado) representa um verdadeiro ritual quando família e amigos se reunem. Além dos bifes, é comum grelhar salsicha (chorizo), morcela (morcilla), rins (riñones), timo (molleja) e dobradinha (chinchulines): a famosa parillada. Por outro lado, as milanesas (filé de carne empanado) são o prato mais popular no dia a dia.
PastaPasta argentinaDe presença tão acentuada quanto as carnes, as tradicionais massas italianas (pastas) se destacam. As variedades preferidas são macarrão (fideos), nhoques (ñoquis), além de massas recheadas como ravioles, sorrentinos e lasanhas. Já a pizza é motivo de orgulho nacional e se caracteriza por sua massa grossa e abundante queijo. Costuma ser servida com uma fatia de fainá, similar a um pedaço de polenta assada.
Comida criollaEmpanadas argentinasA cozinha tipicamente argentina (criolla) é bem representada pelas empanadas – pastéis de massa leve recheados com carne, frango, presunto e queijo, etc. Outros pratos típicos são o matambre (espécie de rocambole de carne recheado), o locro (refogado de milho e carne de porco) e a carbonada (ensopado de carne, legumes e arroz).
Bebidas típicas
VinoVinho argentinoEm relação às bebidas, pode-se afirmar que os vinhos são tão populares na Argentina quanto o chopp é no Brasil. Por isso, existem desde os econômicos vinos de mesa (em embalagem Tetra Brick) até aqueles que consagram o país como um dos melhores produtores do mundo. Merece destaque o tinto Malbec, variedade emblemática do país.
FernetFernet Branca con Coca-ColaApesar de sua origem italiana e de estar tradicionalmente associado à província de Córdoba, o fernet é uma das bebidas favoritas em toda a Argentina. De sabor naturalmente amargo, é consumido de forma particular no país: com Coca-Cola e muito gelo. O Fernet Branca, que possui a receita original italiana, é o mais famoso.
MateChimarrão argentinoO chimarrão (mate) é a infusão mais típica. Para prepará-lo, deve-se encher 2/3 da cuia com erva mate (yerba), colocar o cilindro (bombilla) e logo derramar água quente até a borda formando uma cobertura de espuma. Tem quem prefira beber com açúcar, outros sem. O importante é oferecer pra quem estiver à sua volta.
Doces típicos
HeladoSorvete argentinoComo sobremesa, o sorvete (helado) é o favorito dos argentinos, que são verdadeiros especialistas e adoram discutir sobre qual é o melhor da cidade. Muitas sorveterias mantêm uma preparação artesanal, à moda italiana. Seja no copinho ou na casquinha (cucurucho), é uma pedida infalível, ainda mais autêntico se for de dulce de leche ou sambayón.
AlfajorAlfajor argentinoO alfajor é um doce tradicional e muito popular na Argentina, que consiste em dois discos redondos de massa, com uma forma que lembra um iô-iô, recheados geralmente com doce de leite e banhados com chocolate branco ou ao leite. Os mais famosos (e caros) são os alfajores Havanna, mas vale provar qualquer um do quiosco, todos deliciosos.
FacturasFacturas argentinas, medialunasNo café-da-manhã (desayuno) ou no lanche de fim de tarde (merienda) não podem faltar as facturas, nome genérico dado aos croissants (medialunas), churros e outras variedades de pãezinhos doces que saem direto do forno da panadería mais próxima. Alguns são recheados com doce de leite, creme ou mermelada e outros levam cobertura de chocolate.

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